E, como se não tivesse já o bastante para dar conta, o gabinete do Arcebispo da Inglaterra ainda ligaria antes da hora terminar — um detalhe que ele deveria ter lembrado cinco minutos atrás.
Reuniu seus pertences e seguiu pelos corredores silenciosos da Abadia em direção ao próprio gabinete, cortando pela nave principal por ser o caminho mais rápido, enquanto o ritmo conhecido do caos do festival se assentava ao redor dele como um casaco antigo.
A Abadia tinha séculos de idade; suas pedras guardavam, em silêncio, a passagem do tempo, das guerras, do fogo. Ao atravessar aqueles espaços amplos e ressonantes, Maurice não deixava de se admirar — não apenas pela sobrevivência do lugar, mas por sua grandeza contida. Fora danificada e reconstruída mais de uma vez, e ainda assim as abóbadas continuavam a se erguer com solenidade, os vitrais ainda lançavam manchas de cor sobre o chão de pedra, e o grande órgão de tubos permanecia imponente na tribuna do coro, como um guardião adormecido. Tudo ali envelhecera, mas nada se apagara. A Abadia resistira, assim como ele — embora Maurice às vezes se perguntasse qual dos dois carregava o fardo mais pesado da história.
Ao cruzar a nave, parou um instante para esticar as costas, a dor conhecida ecoando dias longos demais e descanso de menos. A quietude fresca da Abadia o envolveu como um manto, abafando o zumbido das exigências da manhã.
Ergueu o olhar por instinto — parte hábito, parte busca por alívio — e o fôlego lhe falhou de leve. As abóbadas sempre lhe trouxeram conforto, a simetria e a altura ajudando a organizar os pensamentos. Mas naquele dia, algo diferente prendeu sua atenção.
No centro exato do teto, embutidas entre os entalhes conhecidos da pedra, havia cinco estrelas esculpidas. Delicadas, quase camufladas pela ornamentação — tão sutis que nem ele, após décadas naquela Abadia, jamais as notara. A maioria das pessoas passaria sob elas sem perceber, o brilho discreto perdido na luz filtrada pelos vitrais. Agora, porém, cintilavam com uma insistência silenciosa, puxando seu olhar não para o deslumbramento, mas para algo que despertava, contido havia muito tempo.
